PETRÓLEO - Um Commodity polêmico e revolucionário
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PETRÓLEO - Um Commodity polêmico e revolucionário

28 Setembro 2021

Tempo estimado: 5 minutos

Em 1856, uma cientista chamada Eunice Foote conduziu um experimento. Ela encheu um tubo com ar normal e outro com dióxido de carbono. Colocou termômetros em ambos, os expôs ao sol e notou que o tubo de dióxido de carbono ficou muito mais quente e quente por mais tempo. Ela publicou os resultados observando que uma atmosfera desse gás daria a nossa Terra uma alta temperatura. Três anos depois, Edwin Laurentine Drake descobriu o Petróleo no Oeste da Pensilvânia. Cem anos depois desse primeiro poço, a Indústria Petrolífera Americana celebrou o seu Centenário e convidou o físico Edward Teller (um dos inventores da Bomba Atômica) para fazer um discurso sobre o futuro da energia. “Nós provavelmente, teremos que procurar fontes adicionais de combustível”, disse Edward à plateia. O carbono extra, produzido pela queima de combustíveis fósseis, causa o efeito estufa e ele acreditava que seria o suficiente para derreter as calotas polares e submergir Nova York.

Em 1988, as notícias sobre o efeito estufa eram veiculadas em primeira página e desde então, continuamos jogando dióxido de carbono na atmosfera e em ritmo acelerado. A economia mundial depende de combustíveis fósseis para gerar a maior parte da energia. Um terço vem do Petróleo. É irônico que as substâncias que nos ajudaram a alcançar esse nível de desenvolvimento hoje, são agora substâncias que colocam em risco o futuro da civilização. Os governos estão começando a concordar que nós não podemos deixar o mundo aquecer mais de 1,5 graus Celsius e nós estamos a caminho de superar isso em 2030.

Então por que é tão difícil fechar a torneira? Será que nós teremos tempo?

A história do Petróleo é de choque Geopolítico, de avanço tecnológico e de intensa concorrência. Os Britânicos concederam a Shell e a British Petroleum uma permissão exclusiva para explorar Petróleo na Nigéria (uma das regiões mais ricas em Petróleo do Planeta). Eles descobriram o “ouro negro” em 1956. Os nigerianos ficaram extremamente esperançosos que a descoberta de petróleo traria mudanças positivas ao bem-estar da população em geral. Alguns anos depois a Nigéria ganhou a independência, o futuro parecia brilhante, afinal, os combustíveis fósseis tinham transformado outros países. As nações mais ricas do mundo haviam sido muito mais pobres anteriormente. O carvão foi a primeira descoberta que mudou tudo isso. Organismos antigos em mares e pântanos tinham absorvido a energia do Sol e os seus fósseis se transformaram ao longo de milhões de anos em carvão e um quilômetro mais abaixo em gás natural e petróleo bruto. Queimar carvão ajudou a Grã-Bretanha a se tornar a primeira nação industrializada e o império mais poderoso que o mundo já tinha visto. Então, o Petróleo apareceu e causou uma revolução.

Descobriu-se que a gasolina (uma espécie de resíduo do refino de petróleo), era na verdade um combustível muito bom para os carros. O Petróleo era o líquido mais energético que existia à disposição. A Primeira Guerra Mundial começou com ataques de cavalaria e terminou com aviões, tanques e caminhões.

O petróleo colocou o mundo em movimento. As pessoas estavam vivendo uma liberdade recém-descoberta, dirigindo e voando por toda a parte. O petróleo criou o mundo moderno, tirando milhões de pessoas da pobreza. Usinas foram construídas, estradas, postos de gasolina, diversas refinarias etc.

Mas, os lucros foram desequilibrados principalmente quando ocorreu um boom no Oriente Médio. O Irã estava ganhando apenas uma fração dos lucros do próprio petróleo (17%), enquanto os britânicos ficavam com o restante (83%) e eles decidiram que não queriam mais esse acordo. Então, em 1953, os EUA e a Grã-Bretanha planejaram um golpe derrubando o líder democraticamente eleito do Irã, dando poder ao Xá porque entenderam que ele seria mais “propenso” a ter uma boa relação com o Ocidente.

Na Nigéria, ficou claro que o Petróleo não significava prosperidade para todos. Sob domínio colonial, os britânicos juntaram diversos Estados em um único país. Depois da independência, a região natal de Nnimmo anunciou que estava se separando e passaria a ser um país chamado Biafra, região que englobava a maior parte do Delta do Níger e suas reservas de petróleo. Então, quando o governo nigeriano declarou guerra, os britânicos apoiaram. O governo isolou a região e mais de um milhão de civis morreram de fome. A Biafra se rendeu em 1970 e no ano seguinte a Nigéria se juntou a OPEP (uma aliança de produtores de Petróleo que queria retomar os seus recursos) e nos anos 70 eles exerceram muito poder elevando os preços do petróleo com alguns países, boicotando os EUA devido ao apoio militar a Israel. De repente se transformou em uma crise e foi um choque para a ordem política, os postos de gasolina secaram, as companhias aéreas reduziram os voos, fábricas tiveram que fechar. Em 1979 quando os iranianos derrubaram o Xá e retomaram o controle do petróleo os preços dispararam novamente, e apesar disso não ser bom para os consumidores de petróleo era ótimo para os produtores de petróleo.

A Nigéria se tornou o país mais rico da África, mas depois dessa alta nos anos 70 os preços do petróleo despencaram, assim como a economia da Nigéria. Os países não necessariamente se dão bem só porque tem abundância de recursos naturais, isso pode desvalorizar a moeda, tornar outras indústrias menos competitivas, causar tumulto econômico e corrupção. O problema neste caso, não é o recurso e sim como ele é explorado. Na Nigéria, grande parte desse dinheiro vai para empresas multinacionais e o dinheiro que fica vai para a empresa Nacional de Petróleo da Nigéria (NNPC) que pertence ao governo e é responsável por regular a indústria petrolífera do país, tendo um “operador” que também é “regulador”, e desde a sua independência, bilhões de dólares desapareceram corrompendo economicamente não só as pessoas, mas todo o sistema político. Havia outros custos adicionais, no Delta do Niger. Mais de 50 anos de derramamento criaram 43 mil quilômetros de pântanos de petróleo tóxicos, onde a expectativa de vida é de 41 anos (uma das baixas do mundo). Os pescadores não podem mais jogar suas redes no mar, as chamas de gás ativadas pelas empresas petrolíferas funcionam 24hs todos os dias e além de tudo isso, a Nigéria é um país quente e seco, o que significa que é mais sensível ao aumento das temperaturas e em 2020 a temperatura global aumentou mais de 1,2ºC. As ondas de calor estão ficando mais fortes, mais frequentes e mais mortais, elas alimentam furacões que intensificam mais rapidamente, incêndios florestais queimando áreas muito maiores. A mudança climática responde devido as emissões de carbono acumuladas emitidas principalmente pelos países ricos e os países em desenvolvimento que estão enfrentando este custo.

O tempo está passando e nos perguntamos se há esperança para resolver isso ou nós chegamos ao fundo do poço da raça humana? O que está em risco? Nós estamos em risco! O mundo emite mais de 50 bilhões de toneladas de gás do efeito estufa por ano e várias autoridades mundiais discursam sobre a “neutralidade do carbono”.

Muitas ações drásticas já foram tomadas. A energia eólica e a solar já são mais baratas que o carvão em muitos países, a tecnologia das baterias está evoluindo rapidamente, os governos estão investindo em mais usinas hidrelétricas e nucleares, os carros elétricos estão ficando mais baratos a cada ano e para navios e aviões de carga os engenheiros estão pesquisando biocombustíveis e hidrogênio líquido. Na última década, os EUA têm trocado o carvão pelo gás natural.

Esta é uma questão muito ampla que precisa de muitas soluções e vai exigir ainda muita tecnologia que não foi desenvolvida. Daqui 30 anos o mundo será diferente, mas o quanto ele vai mudar e o quão diferente ele será, ainda é difícil de prever. É necessário que países desenvolvidos e em desenvolvimento atuem juntos no combate das emissões de carbono reequilibrando o ecossistema. E você? Acredita em qual futuro?

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